domingo, 20 de março de 2011

O IRMÃO.

Diz a lenda que um menino aguardava ansioso nascimento de sua irmã. Na véspera, esperou horas no hospital e, como nada aconteceu, teve que ir para casa com o papai. A irmãzinha nasceu de madrugada. Logo pela manhã um menininho corria pelos corredores do hospital, puxando seu pai pela mão. E foi depois dessa parte da lenda que a porta do meu primeiro quarto abriu. Queria lembrar o que aconteceu logo depois que ele entrou, afinal eu já estava lá. Queria lembrar de quando ele, finalmente, chegou bem pertinho. Mas não lembro.


De todas as coisas que não lembro, ele lembra e em tudo o que lembro, ele aparece como no nosso primeiro momento: pertinho, cuidando e sorrindo. Parceria eterna. Com ele eu ia pra escola e ficava em casa. Com ele, assisti meu primeiro jogo do São Paulo e, também, aprendi a jogar futebol. Os treinos aconteciam dentro de casa, no quintal, no corredor do prédio, no terraço, no campo, na quadra, em piscinas vazias. Por isso, ele guarda minha primeira medalha de ouro no futsal e a marca de eu nunca ter perdido com a seleção do colégio. Com ele, pulei em buracos com lama até o umbigo, fiz pegadinhas pra vizinhança e para as empregadas que se demitiram em sequência. Ele dividiu a culpa comigo pela pituca de cigarro no sorvete das visitas e por tantas outras artes. Poucas foram as vezes que só um de nós apanhou. Descobrimos que ser dedo-duro não é tão legal quanto resolver os assuntos 'internamente'. Algumas histórias só chegam aos ouvidos do papai e da mamãe agora que eles já tem maturidade suficiente pra dar risada ao invés de bater. HAHA Claro, ele também quebrou minha mamadeira a enxadadas e pôs fogo nas minhas pernas, mas isso é coisa de irmãos, certo? HAHAHA! 


Ele sempre me fez saber o que aconteceria na minha vida 3 anos, 8 meses e 4 dias depois. Na primeira série eu já sabia que a matemática da quinta era difícil e na terceira série eu já sabia que se viesse a achar a da quinta difícil, era porque não tinha visto a da sétima ainda. Matemática acabou sendo minha matéria preferida. De várias maneiras, ele me fez melhor. Ele é presente e benção de Deus na minha vida. Meu exemplo em tempo integral, como pessoa e como cristão, e nunca decepcionou. Perfeito? Não. Perfeito pra mim? Com certeza. Meu irmão é o melhor do mundo. 


Jô, obrigada por todas as conversas, cada gargalhada e por todos os momentos. 
Obrigada pelo cuidado de sempre, por fazer diferença, por tornar melhor. Obrigada por demorar mais na sua infância pra que a minha fosse perfeita. Obrigada por ser assim, irmão perfeito pra mim. Obrigada pelo exemplo. Tenho orgulho de você, orgulho
de ser sua irmã. Minha vida é melhor por sua causa. Amo você. 

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